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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Citação pontual

"No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem, e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo."
(Milan Kundera)
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Sou suspeita pra falar desse autor além de muita admiração pelo trabalho, conteúdo, formato e muitas mais características listáveis (ou não) do que ele produz. Com obras consideradas entre clássicos e uma habilidade transcendental de pôr ficção, fato, poética, crítica, em traços únicos, ele assina em citações como essa a pontualidade da nossa descoberta fazer jus a conhecê-lo e ir além de tudo isso... Recomendadíssimo!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um viva aos

Macacos Mórbidos

Macacos mórbidos ficam entediados

Macacos mórbidos acham que sabem o que são

Macacos mórbidos acham que entende o que as coisas são

Macacos mórbidos acham que controlam a vida

E acham que controlam o mundo

E então, eles evoluem e resolvem melhorá-lo (o mundo),

E criam as máquinas, a energia, as cidades, a civilização, a poluição, enfim destroem mais que qualquer outra coisa, e pensam estar tudo bem porque são racionais, naturalmente racionais, iguais ao que os seus antepassados nunca foram, então eles continuam pensando que podem concertar o erro, mas continuam a fazer tudo da mesma forma, consomem a terra como se esta servisse meramente como fonte para todos os desejos humanos.

E fazem dela matéria prima para satisfazer suas... Necessidades? Fetiches? Bem, fazem dela matéria prima para satisfazer suas necessidades de fetiche.

Mas está tudo bem seguir devorando tudo a sua frente, está tudo bem seguir em direção ao suicido. Será esse o melhor caminha para os macacos mórbidos? O suicídio?

Se não é o melhor para eles como um todo, faz-se necessário um fim, ao menos, à sociedade, ao modo moderno de vida destes macacos espertos, ou seja, um suicídio do macaco moderno – dos tempos modernos –, do ente impróprio de si. Urge tal assassinato, e quem sabe do cadáver deste posso erguer-se o corpo do novo ser-no-mundo, sendo e vendo-se como parte dele, ou melhor, não como uma parte nele, mas como ele sendo numa relação com o mundo nem mais nem menos, nem longe nem perto, nem superior ou inferior, nem a serviço de nem mesmo no comando, mas sim, num gracioso balé pelo produzir-se aí, com a coragem de se por nos risco, sem buscar suplantá-los movido pela temeridade ou temor, sem criar subterfúgios para pôr-se-aí, sem usar-se de uma técnica voraz para sub-existir como peça de uma maquinaria, erigida por armação quantificadora, esvaziadora de possibilidades de ser.

Por fim, macacos mórbidos, que fazem questão de pôr-se do lado de quem exorcizou a loucura-criadora de si.

Por fim, seres agonizantes no abismo do ser, que se faça a escuridão de si, para fazer salvar em seu âmago o pouco de brilho, assim, permitir verter o devir das possibilidades de um novo “eu”.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Já dizia Calvin


domingo, 22 de novembro de 2009

Fragmento de um diálogo




– Humano.

– Humano?

– É, Humano. Humano do latim humánus ou também conhecido como: ser humano, homem, pessoa, gente.
Ou cientificamente: Homo sapiens, o Homem Sábio.

– Bravo! Mas, o que faz dos humanos humanos?

– O que nos torna humanos?

– É o que define esse homem sábio?

– O que você supõe ser?

– Bem, nossa natureza racional? Polegares opositores? Telencéfalo desenvolvido? Nossa anatomia arrojada? Nossos aparatos fisiológicos superiores? Nossa capacidade de reflexão? Nossa capacidade de deflexão? Nossa habilidade de classificar, de rotular, de embalar, de encaixotar, de armazenar e... Descartar?

– Não, nenhum destes.

– Então, nossa incapacidade de ser feliz? Nosso talento em destruir? Nossa incapacidade pensar além do tempo e do espaço? Nossa maestria em criar? Nossa tecnologia autodestrutiva? Nossa poder de controlar a natureza, o mundo a nossa volta e nosso futuro? Nossa habilidade primordial de mentir, de fingi,r dissimular, amar e matar?

– Não, nenhum destes também.

– Não? Seria... Nossa capacidade de filosofar, de criar mitos, religiões, explicações? Seria nossa ciência? Nossa Inteligência? Nossa capacidade de descobrir verdades, gerar conhecimentos? Nosso ciclo de vida? Nossa evolução? Nossa natureza? Nossas raças? Nossa dieta? Nossa psique? Nossas vontades? Nosso poder?

– Não, é outra arte

– Outra arte? Nossa arte em... Plantar tomates?

– Não, nossa sublime arte de... Esquecer.

– Esquecer?

– Isso, esquecer. Esquecer que de que nossa “natureza racional” não passa de uma fantasia moderna, de que a loucura e tão humana quanto a razão. De que não temos porte físico para competir com nenhum outro animal. De que não somos feitos para correr, para cortar, brigar, ou seja, se nossa vida dependesse de nosso físico, seria melhor que nos escondêssemos e esperássemos pela morte.

Esquecemo-nos também que nossas reflexões, nossas de filosofias, nossas religiões, nossa ciência, nossas explicações, nossos conhecimentos não passam de criações humanos. São fantasias, são mitos! Mitos que sustentam nossas sociedades e nossos modos de vida. Esquecemos que não descobrimos verdades, nós as inventamos. O mundo a nossa volta está mais perto de ser a criação de cada um do que um aproximar-se do “mundo de verdade” da metafísica e da ciência (que é a metafísica moderna, travestida e outorgada).

Esquecemos de muitas coisas, inclusive que o universo não gira ao redor de nosso umbigo, que nossas classificações, nossos rótulos são frutos de nossa imaginação e não ultrapassam nosso mundinho egoísta. E esse egoísmo nos faz esquecer de que o mundo não é nosso, que nosso modo de vida não é superior é, ao contrário, autodestrutivo, suicida. Nutrimos nossa incapacidade de nos contentarmos e, com isso, destruímos mais e mais como se os recursos fossem infinitos, como se nós fossemos infinitos.

Nós esquecemos que somos finitos, para justificar nossa prepotência e desrespeito com o outro. E no fundo, queremos esquecer que só podemos pensar em coisas finitas e limitas e afirmamos como se isso fosse mais que nossa vã ficção. Queremos controle, queremos um mundo ordenado e racional, mas esquecemos que ele não é. Esquecemos que amanhã podemos não acordar ou que amanhã jamais será o que se quer que ele seja, esquecemos que o universo está envolto num espírito trágico que foge ao nosso controle.

Envolvemo-nos em nossas simulações, mergulhamos em nossas mentiras, e nos deprimimos com elas. Nós nos esquecemos de ser feliz. Ao fim, esquecemos que somos mestres em criar que nossas criações são somente nossas.

Em última instância....
Esquecemo-nos que esquecemos!



domingo, 8 de novembro de 2009

Já dizia Mafalda