terça-feira, 9 de novembro de 2010

Crítica e fatal realidade


Segue uma descoberta que fiz hoje, do lançamento de um HQ de Nestablo Ramos, contribuindo com sua arte à crítca a exploração animal; coloco aqui, destaque de ZOO
(fonte de um recorte de jornal):

Para apliar: http://tinyurl.com/27n3hv2

Achei uma iniciativa bem boa e claro, ferramenta justa a ser utilizada!

Para saber mais sobre, resenha de site especializado em HQ: http://www.bigorna.net/index.php?secao=lancamentos&id=1266854475

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Citação pontual

"No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem, e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo."
(Milan Kundera)
------------------------------------------------------------------------------------
Sou suspeita pra falar desse autor além de muita admiração pelo trabalho, conteúdo, formato e muitas mais características listáveis (ou não) do que ele produz. Com obras consideradas entre clássicos e uma habilidade transcendental de pôr ficção, fato, poética, crítica, em traços únicos, ele assina em citações como essa a pontualidade da nossa descoberta fazer jus a conhecê-lo e ir além de tudo isso... Recomendadíssimo!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Urzad (Escritório) - Kieslowski



É um curta-metragem de um diretor que eu gosto muito e que de certa forma conseguiu me dar uma "nova" visão sobre o cinema que eu não tinha antes. Faz parte de uma vanguarda de cineastas poloneses que produziram filmes magníficos dentro da cortina de ferro. Algo que muito me incomoda neste papo sobre a cortina de ferro é que pouco se procurar (ao menos é minha impressão) a se saber como se vivia durante este período. Uma série de sutilezas que fico tentando imaginar.

O que gosto neste curta é a capacidade, partindo de um filme tão simples, falar tão bem da burocracia. Podemos ver no final uma pequena filmagem das entranhas do estado, um monte de papéis sem fim e de pessoas que acabam perdendo seus rostos, uma coisa tal que não se sabe onde começa e onde termina, onde o estado também perde o seu rosto.

Apesar de ter encontrado o curta completo na internet fico devendo as legendas em português. Mas não se preocupem, apesar de ser um filme em polonês, tem legendas em inglês que não exigem profundo conhecimento da língua saxã.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um dia entre tantos





Era uma quarta-feira nublada e quase fria. Diferente dos outros dias ensolarados em que os pontos de ônibus já deviam estar saturados de ouvir sobre o clima. Juro que esperava por um dia que não só as nuvens fossem exóticas, proporcionando desenhos infinitos. Queria um café sem açúcar para edulcorar a mesmice, amargurando o cotidiano e esmagando as horas com o calor que deslizava em minha língua desembocando em meu estômago. A essas tantas de meus pensamentos, ainda estava forçando a catraca que liberou aquele som peculiar de moedas adentrando em um cofre, mergulhando-se junto de tantas outras, dizendo “Socorro, eu serei comida”. Segurei minha mala preta com meu notebook, arrumei a gravata e verifiquei se o sapato estava sujo. Não, estava exatamente como eu havia deixado, a ponto de espelhar os vidros da janela da locomotiva moderna em que eu embarcara. Olhei para frente e vi uma moça de nariz, olhos e boca pequena. O rosto era pequeno e a pele era branca, como a Santa MariaNossa Senhora do Desterro, enfim, aquelas santas. Não consegui parar de olhá-la. Aproveitei porque o olhar dela estava direcionado ao nada para fora daquele ônibus cheio de gente, cheias de pensamentos distintos dos meus e contemplei-a. Vezes as sombras a deixavam escura, vezes os tímidos raios a iluminavam acentuando sua pele. Vezes imaginei-me ao lado dela, vezes imaginei-a de pé ao meu lado esquerdo. Ela era linda. Um forte movimento me puxava para a direita. Fui bruscamente interrompido por um brutamontes que me arrastou com sua mochila. Tive de sair dali. Queria olhar a menina santa. Queria perguntar seu nome, se trabalhava, estudava, lia. Impossível competir com todos aqueles homens e mulheres suados das fábricas, aqueles moleques de faculdade e os aposentados que têm seus lugares preferenciais. Então fui comprimindo-me até ao final daquele automóvel que se enchia de vozes, de roupas coloridas, gente estranha, mas tão semelhantes. Os sons prontos de “desculpa”, “posso passar?”, “que ônibus lotado!”, “Caralho, que demora, já tou quinze minutos atrasado porque essa porra não anda”. Logo desliguei meus ouvidos para esse tipo de conversa e acionei os tímpanos para suavizarem a canção sexual que as portas quando abrem e fecham produzem. Pensei na menina santa, e então a imaginei em minha frente naquele corpo masculino que nos embalos do vai-vem alisavam meu peito, desajustando minha gravata.  Um negro, também de olhos, nariz e rosto pequenos, mas os lábios eram fartos de carne. Era lindo. Uma estátua viva de São Benedito.  Ele estava de frente e com tantos outros corpos tapando as janelas restava a olhar ou para baixo, ou para cima ou para frente. Fitei-o enquanto ele em não sei em que pensamento, olhou para os pés e inclinou um mínimo a cabeça, franziu a testa e mexeu os dedos do pé direito. Ali era somente eu e meu pensamento, que era ele. A menina santa deu lugar ao São Benedito, eu pensei e estiquei a ponta dos lábios para a esquerda, com um suspiro levemente alto, então ele finalmente olhou para frente. E olhou para os meus olhos, passando pelas duas pintas que registram minha bochecha direita, parou no nariz, e logo abaixo mirou minha boca. A boca e os olhos meus, a boca e os olhos dele, num movimento constante, interrompidos por alguns “com licença”, “opa, foi mal!”. Nessa confusão tão previsível de todos aqueles corpos,“Foda-se”, eu pensei , e acho que ele pensou o mesmo. Um beijo suado. Salivas sedentas. Mãos nos cabelos. Mãos nas costas. Mãos nas bundas. Suspiros.  Dois corpos fartos de desejo encarcerado e as mais estranhas vozes de raiva, nojo, euforia que aquela abundância de outros corpos fabricou. Descemos no primeiro ponto com as mãos dadas, procuramos um canto daqueles familiares da rua. Cheiro de homens e mulheres, suor, urina, bebida e cigarro e um pixe do “A” dentro de um círculo. Apenas os carros seguindo o fluxo, escondendo nossos gritos de prazer. Apenas as lojas se abrindo no mesmo horário de todos os dias, dissimulando nossos movimentos. Ali estávamos tresloucados sem mais conter os desejos. Ali se exalou o cheiro de dois homens nus deste cotidiano mesquinho, desta vida besta de convicções imbecis. Vestimo-nos e fomos ao trabalho. 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Democracia militar





retirado de http://sinmiedo.tumblr.com/

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dica

Acesso à downloads interessantes: http://www.malestarnacultura.ufrgs.br/documentos.php

terça-feira, 15 de junho de 2010