segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Engenheiros do Hawaii - 3ª Do Plural

Corrida pra vender cigarro

cigarro pra vender remédio

remédio pra curar a tosse

tossir, cuspir, jogar pra fora

corrida pra vender os carros

pneu, cerveja e gasolina

cabeça pra usar boné

e professar a fé de quem patrocina

 

Eles querem te vender, eles querem te comprar

querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar

quem são eles?

quem eles pensam que são?

 

Corrida contra o relógio

silicone contra a gravidade

dedo no gatilho, velocidade

quem mente antes diz a verdade

satisfação garantida

obsolescência programada

eles ganham a corrida antes mesmo da largada

 

Eles querem te vender, eles querem te comprar

querem te matar, à sede...eles querem te sedar

quem são eles?

quem eles pensam que são?

 

Vender... Comprar... Vedar os olhos

jogar a rede contra a parede

querem te deixar com sede

não querem nos deixar pensar

quem são eles?

quem eles pensam que são?


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acredita-se estar livre de perigo.

domingo, 29 de novembro de 2009

A TV Salva!

Correntes

Sou cria de minha vida obsessiva
pela obsessividade de minha vida pela cria
na criatividade da vida acho a cria
que faz minha obsessividade
pela vida então que cria obsessiva
a vida já não criada e tampouco obsessiva
Por que a vida em cria obsessiva já é
outra vida.

sábado, 28 de novembro de 2009

Just do it!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

...


"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Diálogo entre loucos

- Qual o sentido disso tudo?
- Não sei, há tantas respostas, mas há muito mais perguntas...
- Por que tanto mistério, tanto segredo?
- Uhm, talvez tenha um motivo  para isso, talvez não.
- Já ouvi tantos motivos, tantas idéias, tantas verdades, qual podemos confiar?
- Talvez você deva escolher alguma e simplesmente confiar.
- Mas como posso confiar em invenções humanas como Deus e Ciência? Será que estou doente, louco?
- Muitos dirão que é loucura, pois eles precisam acreditar em algo, ou pelo menos acreditam nisso.
- Talvez eu também precise acreditar em algo, em alguma verdade.
- A verdade é que não há verdade.
- Bom, talvez eu possa acreditar nisso.


--
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acredita-se estar livre de perigo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Hoje - Dead Fish

Pros que pensam que estão no auge dos tempos e a arrogância faz seu sangue mudar de cor.
Com a insensibilidade de um colonizador fizeram tudo mudar e não conseguem perceber que ser cidadão é consumir.
Uma imagem vale mais que mil caráteres.
O príncipe presidente ser tornou:
"L'ai ces't faire l'ai ces't passer"!

Vamos pagar! (Hoje!)
 Estamos fingindo! (Hoje!)
Vamos sofrer! (Hoje!)
Casas vazias!
 Terceiro mundo!
 Vamos sofrer!

 Pois a fraternidade se tornou uma gangue.
A felicidade agora é Ter.
A liberdade vem embalada em plástico é colorida e tem gosto de isopor.
Personalidade agora é criticar.
 A economia continua para alguns e a honestidade contém CFC, devo sorrir!
Eu tenho você não!

Vamos pagar! (Hoje!)
Estamos fingindo! (Hoje!)
 Vamos sofrer! (Hoje!)
 Elitização!
3º mundo!
 Vamos sofrer!

Ser racional é Ter um ego enorme, progresso significa tecnologia.
Se estamos no auge dos tempos, por que tanta angustia?

Mantenha seu orgulho e vamos cantar, já estamos condenados e pra que se preocupar?
Pois nossa atitude é biodegradável.
A história não poupará em nos condenar

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Para quem quiser ouvir ou baixar:
Dead fish - Hoje.mp3

HOMO ERECTUS

Outro ângulo


domingo, 22 de novembro de 2009

Quase 1 ano depois.

Abro uma agenda. Pequena, o suficiente para suportar um dia entediante. Entre esses dias de novembro do ano de 2008. Manterei o texto cru, sem alterações. Estou me despindo, com uma escrita simples, como o fim:

Caracas...nesse tédio, parece que o mundo vai desabar em Blumenau. O que é isso? Que sensação seria essa? Medo? É culpa de quem? Ninguém?Alguém? Aquela rua pela qual todos os dias caminhávamos. Aquelas casas, o caminho, as árvores, os cachorros, as casas, tudo foi levado. Melhor sorrir por não ter havido cadáver como em tantos outros cantos da cidade, da região, do estado. Todos estamos na mesma expectativa de que tudo melhore, vivendo a vida com medo, hora por hora, dia após dia. O povo "ordeiro e trabalhador" onde está? Onde está todo o esforço do trabalho? As casas com suas arquiteturas modernas? E os barracos? E a história tão bonita? O que será criado agora? Que festa? Não sei. Alguém se arrisca a saber onde tudo é surpresa? O povo se une num momento de solidariedade. O morro se une. Mudanças pelas "picadas" e outros caminhos construídos pelo desastre. A escola, a igreja e a creche perderam suas funções originais para abrigar aqueles que fugiram do barro. Que dia é esse?"O dia em que a terra parou" diria Raul pra contemplar em versos o que vem acontecendo conosco. 2008 será como 1983? Qual a semelhança? Qual a diferença? E qual a importância em saber disso? Sem água potável, nem luz, nem comunicação, ainda estamos felizes, sim, sim por estarmos abrigados em nossas casas...Ah! Houve um roubo de uma geladeira na Coripa no período que a casa ficou sozinha...não consigo mais enxergar, a luz do dia está se indo...Fazer o que agora? Que tédio. Pára de chover! Pára! E o rio? Eu rio? Hoje é dia 24, pelas minhas contas...segunda-feira...algumas horas da noite. Saudade da vida [isto eu circulei]

E assim terminei. Relendo, releio minha vida, minhas transformações. Algumas coisas que se foram como barro deslizando por sobre os morros. Que moveram minhas casas que havia consolidado com tanto labor e um sinal da cruz. Desmonoraram. O que eu chamo de vida hoje, tem completamente outro sentido... Quantas pessoas mortas vivem! Estou me despindo...nua, completamente nua.

Fragmento de um diálogo




– Humano.

– Humano?

– É, Humano. Humano do latim humánus ou também conhecido como: ser humano, homem, pessoa, gente.
Ou cientificamente: Homo sapiens, o Homem Sábio.

– Bravo! Mas, o que faz dos humanos humanos?

– O que nos torna humanos?

– É o que define esse homem sábio?

– O que você supõe ser?

– Bem, nossa natureza racional? Polegares opositores? Telencéfalo desenvolvido? Nossa anatomia arrojada? Nossos aparatos fisiológicos superiores? Nossa capacidade de reflexão? Nossa capacidade de deflexão? Nossa habilidade de classificar, de rotular, de embalar, de encaixotar, de armazenar e... Descartar?

– Não, nenhum destes.

– Então, nossa incapacidade de ser feliz? Nosso talento em destruir? Nossa incapacidade pensar além do tempo e do espaço? Nossa maestria em criar? Nossa tecnologia autodestrutiva? Nossa poder de controlar a natureza, o mundo a nossa volta e nosso futuro? Nossa habilidade primordial de mentir, de fingi,r dissimular, amar e matar?

– Não, nenhum destes também.

– Não? Seria... Nossa capacidade de filosofar, de criar mitos, religiões, explicações? Seria nossa ciência? Nossa Inteligência? Nossa capacidade de descobrir verdades, gerar conhecimentos? Nosso ciclo de vida? Nossa evolução? Nossa natureza? Nossas raças? Nossa dieta? Nossa psique? Nossas vontades? Nosso poder?

– Não, é outra arte

– Outra arte? Nossa arte em... Plantar tomates?

– Não, nossa sublime arte de... Esquecer.

– Esquecer?

– Isso, esquecer. Esquecer que de que nossa “natureza racional” não passa de uma fantasia moderna, de que a loucura e tão humana quanto a razão. De que não temos porte físico para competir com nenhum outro animal. De que não somos feitos para correr, para cortar, brigar, ou seja, se nossa vida dependesse de nosso físico, seria melhor que nos escondêssemos e esperássemos pela morte.

Esquecemo-nos também que nossas reflexões, nossas de filosofias, nossas religiões, nossa ciência, nossas explicações, nossos conhecimentos não passam de criações humanos. São fantasias, são mitos! Mitos que sustentam nossas sociedades e nossos modos de vida. Esquecemos que não descobrimos verdades, nós as inventamos. O mundo a nossa volta está mais perto de ser a criação de cada um do que um aproximar-se do “mundo de verdade” da metafísica e da ciência (que é a metafísica moderna, travestida e outorgada).

Esquecemos de muitas coisas, inclusive que o universo não gira ao redor de nosso umbigo, que nossas classificações, nossos rótulos são frutos de nossa imaginação e não ultrapassam nosso mundinho egoísta. E esse egoísmo nos faz esquecer de que o mundo não é nosso, que nosso modo de vida não é superior é, ao contrário, autodestrutivo, suicida. Nutrimos nossa incapacidade de nos contentarmos e, com isso, destruímos mais e mais como se os recursos fossem infinitos, como se nós fossemos infinitos.

Nós esquecemos que somos finitos, para justificar nossa prepotência e desrespeito com o outro. E no fundo, queremos esquecer que só podemos pensar em coisas finitas e limitas e afirmamos como se isso fosse mais que nossa vã ficção. Queremos controle, queremos um mundo ordenado e racional, mas esquecemos que ele não é. Esquecemos que amanhã podemos não acordar ou que amanhã jamais será o que se quer que ele seja, esquecemos que o universo está envolto num espírito trágico que foge ao nosso controle.

Envolvemo-nos em nossas simulações, mergulhamos em nossas mentiras, e nos deprimimos com elas. Nós nos esquecemos de ser feliz. Ao fim, esquecemos que somos mestres em criar que nossas criações são somente nossas.

Em última instância....
Esquecemo-nos que esquecemos!



sexta-feira, 20 de novembro de 2009


E você, sabia?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O peso da decisão


Certa vez, li a seguinte frase de Martin Luther King:

"Eu segurei muitas coisas em minhas mãos, e eu perdi tudo;
mas tudo que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo."

E tentei inverter essa proposição
de modo que se adequasse à minha situação:

"Eu coloquei muitas coisas nas mãos de Deus, e eu perdi tudo;
mas tudo que eu segurei em minhas mãos eu ainda possuo."

Nesse dia, percebi o quão valioso é o ato de aceitar
e assumir a responsabilidade que lhe recai sobre os ombros.

E nunca mais precisei de muletas para sustentar
este peso imenso, mas que é só meu:

O peso da decisão.

*** Por Bruni.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do indispensável







"Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir."

Michel Foucault.

Pior é que acontece...

http://www.releituras.com/ratodesebo.asp

Medo Violento

o fora do normal
o medo irracional
a falta de compreenção
o medo sem razão.
o escuro ameaçador
o ódio e o rancor
o livro e o autor
a face sem pudor.
o deus e o demônio
a ditadura e a libertação
as amarras da ciência
e a arma em minhas mãos.
o medo de não ser
ter vontade e não poder
abrir os olhos e não ver
a violência do nascer.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Educação, história e fluoxetina

Um plano futuro me espera. Ele me é romântico demais. Utópico, talvez. Revestido de imaginações. Mas eles me espantam. Eles me dizem que nada do que eu construir será compreendido. Eles desmontaram meu castelo. E agora? Com quem vou dividir minhas profundas ideias libertárias? Tudo bem, cabíveis em um prato razo. Com quem pratico a história? Pra que serve isso? Todos sabem que não é de utilidade nenhuma. Todos, não. Talvez aqueles que partilham dos saberes, ou das dúvidas dela, da história. Todavia os sonhos tem me sufocado, condicionando-me às entrelinhas de um futuro imaginário, inalcançável demais para continuar. Então desisto. Então ligo para a clínica. A melhor da cidade. Aumento meu plano de saúde. Sobe o preço e a dose de fluoxetina. E nisso aumenta meu medo: Sim, alarme por toda a casa, por favor. Agora meu corpo já é velho. Já está impedido de caminhar mais três metros...prefiro me calar, prefiro não intervir. Que assim seja, amém. Amem, disse um professor de inglês...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vez ou outra pego-me pensando coisas sem sentido,
por exemplo agora.

Por que diabos um se dá ao trabalho de escrever?
O que é será que me impele a transformar abstrações
que fazem sentido aqui, neste meu mundo, longe de tudo
em algo escrito, posto à vista de todos.

Talvez me digam que é de nós,
vida através da arte,
vida através do pensamento.

Vejam por exemplo, tanto escrevi e nada disse
apenas refleti, sobre o nada, nada a ver.
Masturbação mental, palavras gozadas,
eu não sei.

Eu não sei não, tenho minhas dúvidas
e sinceramente prefiro continuar a tê-las,
prefiro continuar a não saber.

Céu Digital

Voando entre fios de alta tensão
com os olhos fechados
e os pés no chão.
Atravesso milhas e milhas de céu digital,
onde o infinito cabe na palma da mão
e a realidade acaba sendo apenas uma ilusão.
Posso ser tudo o que quero, posso ser tudo o que
você quiser, mas infelizmente não posso ser real.
Voando no céu digital
entre fios de alta tensão,
com os olhos fechados
e os pés no chão.

Desempoeirando a sensibilidade

O mundo moderno vem educando os seres para o avanço volátil de caracterizar-se pelo tempo mais rápido que a luz; pensa-se que depois de já entendido o óbvio, as seqüências desfrutarão de seus hábitos. E o antinatural tritura a essência quando o descaso corrompe as forças de lutar pelo ciclo da vida em processos - a urgência confunde a necessidade.
Assim o autoconsumo transforma em volúveis os caracteres de uma história herdada sem exatidão de início ou fim, mas com pretexto suficiente para viver o presente sem grilhões que prendam a descoberta de próprio mistério. O medo é a perda da entrega - assim que opostos se afastam, o equilíbrio não posiciona realidade.
Os corpos vulgarizados no exibicionismo, têm pudor da naturalidade orgânica de si mesmo, e faz silêncio ou ridiculariza o organismo de sua vitalidade. Usa da língua materna para se gabar do esforço contínuo de não-ser simplesmente, e se afoga no status quo, com o deslize da língua que impõe a eloqüência sem conhecer significados. As afinidades da obscenidade e do tédio são a repulsa do tempo, que se conclui biológico a deteriorar as preciosidades da alma que se condenam por pouco luxo - a grandeza não tem tamanho para enxergar: cega os de corpo frágil. E nulos se descartam, utilizando-se como pesos de um mundo concreto, ruindo-se em fragmentos - e que não há de edificar segurança.
Já não é fácil ser por inteiro. Fazer cuidado com as tripas, aonde também pulsa um coração. Segurar na boca as dores do mundo; passar pelas mãos, amores fundos... Mas, sem a latência quem descobriria o calor? Sem profundidade, que escala o tempo faria no céu? Sem as palavras, quem saberia que a vida é uma contínua construção que na sua integridade é o mundo repleto e não o pensamento afoito do ápice de uma geração?
No alto o som é de ondas muito maiores, e no seu compasso, o mesmo tanto de força:
o eco.

domingo, 15 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Uma - inocente - pergunta:


Como era a Terra?


Como era a Terra antes de ser Terra,
Antes de o humano ser o humano,
Antes do ser humano dividir a Terra,
Antes do ser humano cortá-la,
Antes do ser humano furá-la, moê-la, queimá-la, prendê-la, rasgá-la, consumi-la, amassá-la, destruí-la, predá-la, corroê-la, sugá-la, prorrompê-la, podá-la, esfalecê-la,
Antes do ser humano racionalizar o mundo – ao seu redor,
Antes do ser humano pensar que suas fantasias são verdades absolutas,
Antes do ser humano brigar por suas verdades, sem lembrar que são fantasias,
Antes do ser humano se pensar como superior,
Antes do ser humano subjugar o outro,
Antes do ser humano criar classes,
E também, castas, status e ordens,
Antes do ser humano criar as raças,
Antes do ser humano segregar e classificar por raças, credos, gêneros ou espécie,
Antes do ser humano criar o dominante e o dominado,
Antes de o homem criar a família, o dogma, o medo, a tristeza, a alegria, a certeza, o valor e o mais-valor, o dinheiro e a moeda, a norma, o normal, o delinquente, o louco, o são, o santo, o pecador, o pecado.
Antes do ser humano criar a moral,
Antes do ser humano criar o bem e o mal,
Antes do ser humano criar regras, rugas,
Antes do ser humano inventar o pudor,
Antes do ser humano querer cobrir-se por pudor,
Antes do ser humano criar o ódio e o amor
Antes do ser humano odiar,
Antes do ser humano matar por ódio,
Antes do ser humano odiar por prazer,
Antes do ser humano odiar para ser,

Antes de um punhado de metal – reluzente – valer mais que uma vida,
Antes do ser humano esquecer que vive,
E que sua vida tem um fim,
Antes do ser humano se pôr como dono da Terra
Antes do ser humano riscar traços imaginários nela,
Antes de a Terra ser, pelo ser humano nomeada, Terra?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ação - Reação


O tempo de Glauber

Queria escrever algo sobre o tempo. Em vez de escrever algo complicado (o que também foge da minha capacidade), resolvi escrever um curto conto, já que a literatura é lida por todos, enquanto a teoria somente pelos intelectuais... que nem sempre sabem ler uma literatura.

Glauber é um nome comum escolhido pensando na palavra "glaube" que significa "pensar" ich glaube = eu penso. Então seguindo a brincadeira, Glauber seria um pensador. O que não significa que ele é dos melhores, apenas que pensa sobre as coisas que o cercam.

Com vocês, o conto.
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Havia algo que incomodava muito a Glauber, o tempo. O problema nem era tanto o passar do tempo, mas sim a contagem tão exata deste tempo. Não sabia dizer se era um progresso da humanidade, ou uma droga que ajuda a chegar mais rápido ao fim. A coisa estava tão complicada que praticamente não precisava mais de relógio, pois ele era programado como se fosse um relógio. Começou a refletir sobre isso depois que entrou no escritório às 10 horas e quando pensou que deveriam ser 10 e quinze, eram dez e quinze. Problema nenhum até ai, mas durante toda aquela semana percebeu que previa o tempo por margem de erro de no máximo dez minutos, sem olhar para o relógio. Percebeu que depois de certa hora, não conseguia mais dormir, mesmo aos finais de semana. O tempo estava tão contado e racionalizado que seu corpo já respondia sozinho. Quando seu ônibus atrasava um minuto, já sabia todas as implicações que isto lhe traria. Sabia tudo o que passaria. Desde chegar mais tarde em casa, até os minutos a menos, que necessitava deles sobrando para pegar o ônibus no horário.
“Problema nenhum em ser pontual”, disse Joyce sua amiga do escritório, quando Glauber havia contado a ela sobre este aparente problema. E ele se recordava de quando era pequeno, e não possuía noção alguma de tempo. As férias eram quando estava quente, mas no meio de todo aquele calor. E junto com as férias vinha o natal, então o verão era a melhor época do ano, podia tomar sorvete e banho de piscina, mas sempre separados por um intervalo de uma hora. Sempre ouvia “espere uma hora”. O que acontecia era que ficava perguntando inúmeras vezes para sua mãe, “já deu uma hora?”, e ela lhe respondia muitas vezes que não. Outras vezes preferia fazer outra coisa e quando se dava conta sua mãe já o chamava para tomar café. Sabia que sexta era o dia bom, não precisava fazer tarefa, e não ia para a aula no outro dia. Mas esperar uma semana era algo inimaginável para sua infância. Só tinha consciência de que o natal demorava muito mais para chegar do que a sexta-feira.
Na verdade nunca deu muita bola para o horário. Na escola era só seguir o fluxo. Se todos saiam para o recreio, ele também saia, se todos entravam de volta na sala ele também entrava. Mas aos seus quinze anos ganhou de presente um relógio. O regulou e o colocou no pulso. Começou a aprender a contar as horas, saber que perto das dezessete o trânsito virava um caos. Antes quando voltava para casa, saltava em algum ponto por perto e ia andando, chegaria lá. Depois começou a montar cronogramas com os melhores horários de ônibus para ele pegar. A coisa foi ficando tão brava que sabia as horas já automaticamente, até os minutos. Ficava mais pensando no tempo que estava passando, do que no que estava fazendo. Isso o agoniava.
A pergunta que se fazia desde que percebera isto tudo, era se os outros também eram assim tão mecânicos, ou ele era o “homem-do-tempo”? Isto o incomodava e muito. Ou tudo poderia ser só uma conseqüência da velhice. Mas descartou esta hipótese assim que leu um texto sobre o tempo na idade média. Ele falava sobre a medição de tempo. Ela era completamente inexata. Mal se possuía a noção de meia hora, era um luxo ter um relógio em sua cidade. Relógio como hoje, um em cada canto, era algo impensável. Nem se contava os anos direito, se dizia que nasceu no ano de tal santo, no mês de outro tal e no dia (ou tantos antes, ou tantos dias depois) de outro seguinte. “João da Antuérpia, filho de Pedro da Cornualha, nascido no dia de São Cosme, no mês da morte de Cristo, três dias antes do dia de São Paulo”, era assim que se apresentavam antigamente, lógico, os que se dizia valerem a pena apresentarem-se. E o que Glauber percebe era de que o tempo medido é a mais pura invenção dos homens. Se perguntava como deveria ser viver na terra selvagem, no meio de toda aquela imensidão, e não perceber que o tempo vai passando. Será que o meu cachorro sabe que está velho e logo vai morrer? Uma série de questões passaram por sua cabeça.
E quando tentou contar elas a Joyce, ela riu e perguntou o que ele usava, já que ela queria um pouco também. Fizera essa piada boba, e Glauber fingiu que brincava também. Mas tudo aquilo que pensava sobre o tempo ainda estava em sua cabeça.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pose - Engenheiros do Hawaii

vamos passear depois do tiroteio
vamos dançar num cemitério de automóveis
colher as flores que nascerem no asfalto
vamos todo mundo... tudo que se possa imaginar

vamos duvidar de tudo que é certo
vamos namorar à luz do pólo petroquímico
voltar pra casa num navio fantasma
vamos todo mundo... ninguém pode faltar

se faltar calor, a gente esquenta
se ficar pequeno, a gente aumenta
se não for possível, a gente tenta
vamos ficar acima, velejar no mar de lama
se faltar o vento, a gente inventa

vamos remar contra a corrente
desafinar do coro dos contentes

se for impossível, se não for importante
mesmo assim a gente tenta

não é pose
não é positivismo
quanto pior, pior
não é pose
! no pasarán !
não passaremos por isso

tô fora voodoo, ranço, baixo astral
não vou perder meu tempo brincando de ser mau
não vou viver pra sempre nem morrer a toda hora
como rasgos pré-fabricados num novo-velho blue-jeans

morte anunciada, direitos autorais
pela tv a cabo uma baleia acaba de nascer
nascer pode ser uma passagem violenta
o futuro se impõe, o passado não se aguenta

meninos de engenho, santa ingenuidade
santíssima trindade: sexo, drogas & rock'n'roll

é pura pose
...pois é...
pós-qualquer coisa
...o pior não é isso...
é pura pose
...é dose...
posteridade
...e o pior não é isso...

vamos passear depois do tiroteio
vamos dançar num cemitério de automóveis
vamos duvidar de tudo que é certo
vamos namorar à luz do pólo petroquímico
vamos remar contra a corrente
desafinar do coro dos contentes
vamos ficar acima, velejar no mar de lama
vamos esquecer o dia da semana

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Confissão

Padre, perdoai-me pois pequei. Os meus pecados são:

Desejar
Refletir
Criar

Sonhos de Consumo...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Simplesmente...


Humanos ou ratos (de laboratório)?


domingo, 8 de novembro de 2009

Quem falou mesmo em evolução?

Já dizia Mafalda


Quem?






"Quem quer um mundo no qual a garantia de que não vamos morrer de fome, implica o risco de morrer de tédio?

Raoul Vaneigem



...E assim falava Nietzsche

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."

"Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar."

"Se minhas loucuras tivessem explicaçoes, não seriam loucuras."






- Friedrich Wilhelm Nietzsche